Mushishi – Anime Review
Review:
Mushis são formas de vida primitivas que mais se aproximam da “origem” de todos os seres vivos. Elas possuem as mais diversas formas e são invisíveis para a maioria das pessoas, o que faz com que os efeitos de sua presença sejam comumente tratados como fenômenos sobrenaturais ou inexplicáveis. Ginko é um mushishi, especialista em mushis que viaja através do Japão na época feudal solucionando ou amenizando problemas que envolvam as misteriosas criaturas.
Baseado no premiado mangá de Yuki Urushibara, Mushishi se apresenta como uma série diferenciada, sem paralelo até então. Basicamente o anime apresenta uma história fechada em cada um de seus episódios, cujo ponto em comum entre eles é o envolvimento de mushis e o auxílio eventual de Ginko, único personagem que aparece em todos os episódios da série. Isso pode passar a falsa impressão de que se trata de uma série entediante que se utiliza sempre da mesma fórmula básica. Nada mais longe da verdade.
Apesar de a princípio não parecer ser diferente de outros animes com tramas fechadas, Mushishi se destaca simplesmente pelo elevado nível de qualidade de cada uma de suas tramas. As histórias apresentadas são incrivelmente bem elaboradas e diferenciadas entre si, sendo que em cada um dos episódios nos vemos perante de uma bela e fantástica combinação de fantasia e drama, sendo que as melhores poderiam facilmente serem enredos de um livro, filme, OVA ou qualquer outro tipo de mídia de comunicação. Ou seja, assistir a um simples episódio do anime por si só já é uma experiência memorável.
Da mesma forma, a sensação inicial de existir uma superficialidade dos personagens não se mostra verdadeira, muito pelo contrário, pois é aqui que a série realmente brilha. As personagens secundárias são bem construídas, apresentam um bom nível de profundidade, e a despeito do pouco tempo em tela é possível compreender a fundo suas razões e motivações. Isso se torna patente ao observamos como elas reagem diante do paranormal que afetam o seu cotidiano. Mesmo sendo uma série fantasiosa, os seus comportamentos estão longe de serem não naturais ou falsos, na verdade o que vemos são ações similares ao que esperaríamos na realidade.
Diante disso, é interessante observar que mesmo Ginko sendo o protagonista da série, ele não é, necessariamente, a estrela de cada uma das histórias apresentadas, sendo que seu papel maior é de catalisador da trama. Apesar da falta de destaque, existem alguns episódios dedicados a ele e seu passado, de modo que é possível compreendê-lo razoavelmente bem.
E como o verdadeiro destaque de Mushishi é a apresentação do relacionamento existente entre os humanos comuns e mushis – seja ela benéfica ou não, aqui se sobressae um outro ponto interessante da série: apesar de diversos problemas que as pessoas porventura sofram por causa de mushis, o que se incluem até casos de risco de morte, isso não as tornam criaturas malignas. Não existe o conceito maniqueísta de bem ou mal, mas simplesmente de seres vivos que fazem o que precisam para sobreviver, mushis apenas são o que são. Isso deixa uma certa lição sobre a importância de se saber conviver com a natureza e de consciência sobre os problemas causados pelo mau uso dos mushis, quase sempre por humanos inescrupulosos.
Existem dois pontos notáveis que poderiam ser considerados como aspectos negativos do anime. O primeiro é que a série não segue uma linha cronológica linear, de modo que não há uma verdadeira conclusão da história. O segundo ponto é ritmo devagar em que a trama se desenrola. No entanto, em ambos os casos esses aspectos não são necessariamente “fraquezas”, já que dependem do gosto pessoal de cada um.
Assim, é importante ressaltar que diferentemente de algumas séries, Mushishi não tenta fazer complicações para parecer ser mais complexa, mas sim facilita sua compreensão de forma que se torna mais agradável acompanhá-la. Aliado a isso se combina uma ótima trilha sonora, que individualmente pode não ser espetacular mas em conjunto com o restante da obra é impecável para a ambientação; além da boa animação e o excepcional trabalho dedicado na elaboração dos belos cenários. Trata-se de um grande conjunto de fatores que contribuem para a construção de um grande anime, que por suas próprias características pode até relembrar os filmes produzidos pelo estúdio Ghibli. Melhor cartão de visita impossível.
Nota: 
Ficha Técnica:
Título original: 蟲師
Título alternativo: Bugmaster
Gênero: drama, fantasia, mistério, psicológico, sobrenatural
Número de episódios: 26
Período de exibição: 25/10/2005 a 11/03/2006 (eps. 01-20)
Período de exibição: 14/05/2006 a 18/06/2006 (eps. 21-26)
Produção: Artland
OP: “The Sore Feet Song” – Ally Kerr
Staff:
Diretor: Hiroshi Nagahama
Roteiro: Aki Itami, Kinuko Kuwabata, Yuka Yamada
Música: Toshio Masuda
Criador original: Yuki Urushibara
Character Design: Yoshihiko Umakoshi
Diretor de arte: Takeshi Waki
Diretor de fotografia: Yuki Hama
Cast/Seiyuu:
Adashino-sensei – Yuji Ueda
Ginko – Yuto Nakano, Miyuki Sawashiro (jovem, ep 26)
Site oficial: http://www.mushishi.jp/


2 comentários em “Mushishi – Anime Review”
Nana
É um anime muuito bom! Vejo toda terça.
Seu review ficou ótimo!
Férias « Nya…XD
[...] de http://www.lostgrounds.net/…/mushishi-anime-review/ …entre e saiba mais sobre a série. [...]